
Em 2 de setembro de 2026, a Range Rover apresentou o Range Rover Electric de produção e abriu os pedidos. Para a marca, não se trata apenas de substituir o motor de combustão interna por uma bateria e dois motores elétricos. A versão elétrica precisa preservar as características que os compradores associam ao Range Rover: controle preciso da tração, capacidade de avançar lentamente por terrenos difíceis, atravessar trechos alagados profundos e realizar viagens longas sem transformá-las em uma sequência de paradas demoradas.
No comunicado oficial da estreia, o fabricante revelou o conjunto propulsor, a bateria, os números de recarga e os resultados dos testes. Esses dados ajudam a entender quais soluções de engenharia o Range Rover utiliza para compensar as limitações de um SUV elétrico pesado. No entanto, a autonomia e o comportamento fora do asfalto ainda precisam ser verificados em testes independentes.
Em resumo: o que já foi confirmado
dois motores elétricos de ímãs permanentes, um em cada eixo;
potência combinada de 550 cv e 850 Nm;
bateria com capacidade útil de 118,5 kWh e arquitetura de 800 V;
até 372 milhas, ou aproximadamente 598 km, pelo ciclo WLTP;
recarga de 10 a 80% em aproximadamente 22 minutos, sob condições adequadas;
profundidade declarada de travessia de trechos alagados de 900 mm.
Do primeiro anúncio ao veículo de produção
A Range Rover revelou o projeto em etapas. Entre o primeiro anúncio oficial e a apresentação completa, passaram-se quase três anos. Durante boa parte desse período, a empresa mostrou testes de protótipos em temperaturas extremas, tanto no calor quanto no frio.
Data | Evento | O que foi revelado |
|---|---|---|
13.12.2023 | Primeiro anúncio oficial | A empresa divulgou as primeiras imagens e abriu a lista de espera. |
23.04.2024 | Início do programa público de testes | A Range Rover informou que os protótipos seriam avaliados em diferentes condições climáticas. |
28.11.2024 | Testes em clima quente | O fabricante mostrou testes dos sistemas elétricos de propulsão e de arrefecimento no deserto. |
25.04.2025 | Testes de inverno | Os protótipos foram avaliados na neve e no gelo, acima do Círculo Polar Ártico. |
19.05.2026 | Apresentações do veículo pré-produção | O veículo começou a ser mostrado em eventos fechados antes da abertura dos pedidos. |
02.09.2026 | Estreia mundial | As principais especificações foram reveladas e os pedidos foram abertos. |
Principais especificações do Range Rover Electric
Plataforma | MLA-Flex |
|---|---|
Conjunto propulsor | Dois motores elétricos de ímãs permanentes, com 260 kW cada |
Potência combinada | 550 cv, 850 Nm |
Bateria | 118,5 kWh de capacidade útil, 344 células prismáticas |
Autonomia | Até 372 milhas, ou cerca de 598 km, pelo WLTP; estimativa do fabricante para uso real: até 333 milhas, ou 535 km |
Recarga rápida | 10–80% em aproximadamente 22 minutos; até 220 km de autonomia pelo WLTP em 10 minutos, em estação de até 350 kW |
Aceleração | 0–60 milhas/h em 4,3 segundos |
Profundidade de travessia | Até 900 mm |
Cada motor tem potência declarada de 260 kW, mas não se deve somar esses dois números e apresentar o resultado como a potência do veículo. O fabricante informa um valor combinado específico: 550 cv, ou aproximadamente 404 kW, para todo o conjunto propulsor. É esse número que deve ser usado corretamente na comparação com outros modelos.

Dois motores substituem a conexão mecânica entre os eixos
Em um veículo convencional com tração integral, a força de tração é distribuída por meio da transmissão, dos diferenciais e das embreagens. No Range Rover Electric, os eixos dianteiro e traseiro são acionados por motores independentes. A eletrônica pode alterar a contribuição de cada um sem esperar pela atuação de um componente mecânico.
O sistema Integrated Traction Management controla a velocidade de rotação dos motores em até 50 milissegundos. Segundo a Range Rover, o controle da patinagem ocorre até 100 vezes mais rápido do que em uma versão equivalente com motor de combustão interna. Trata-se de uma estimativa do fabricante, não do resultado de um teste comparativo independente.
No eixo traseiro, é utilizado o sistema Intelligent Driveline Dynamics. Ele pode direcionar para trás toda a tração disponível para esse eixo ou reduzi-la a zero. O objetivo é evitar patinagem desnecessária e dosar o torque com mais precisão em superfícies soltas ou escorregadias.
Por que os milissegundos são importantes fora de estrada
Em pedras, neve ou grama molhada, a aderência muda mais rapidamente do que o motorista consegue corrigir o pedal. Quanto mais cedo o sistema identificar a aceleração da roda que está patinando e reduzir o torque, menor será a possibilidade de o veículo danificar o terreno ou sair da trajetória escolhida. A vantagem real dependerá não apenas da velocidade da eletrônica, mas também dos pneus, das configurações da suspensão e dos algoritmos específicos para cada tipo de piso.
A condução lenta continua fazendo parte da preparação para o fora de estrada
O alto torque de um motor elétrico, por si só, não transforma um veículo em um bom off-road. Em terrenos difíceis, é mais importante aplicar a tração de maneira progressiva e mantê-la sem trancos. A Range Rover informa que o modo de condução com um pedal permite arrancar em uma inclinação de até 33 graus e continuar subindo em uma inclinação de até 45 graus. Esses números correspondem às capacidades declaradas do veículo nas condições previstas pelo fabricante, e não a qualquer rampa com essa geometria.

Ao soltar o acelerador, o sistema desacelera o veículo sem exigir que o motorista mova constantemente o pé para o pedal do freio. Em uma descida sobre pedras ou ao seguir por sulcos, isso pode facilitar o controle preciso da velocidade. A suavidade e a previsibilidade do sistema só poderão ser avaliadas ao volante de um veículo de produção.
A bateria precisa suportar mais do que ciclos de recarga
A bateria de tração é formada por 344 células prismáticas dispostas em dois níveis. Essa configuração permitiu acomodar 118,5 kWh de capacidade útil no assoalho da plataforma MLA-Flex. A carcaça é feita de alumínio de alta resistência e também integra a estrutura do veículo.
Segundo a Range Rover, os sistemas da bateria foram testados em temperaturas de −40 a +90 °C. O programa total de desenvolvimento superou 1,5 milhão de quilômetros e 250 mil horas de testes físicos e virtuais. Ele incluiu avaliações de inverno em Arjeplog, na Suécia, calor do deserto em Dubai e trajetos off-road em Eastnor, no Reino Unido.
A profundidade declarada de travessia de trechos alagados é de 900 mm, o mesmo valor dos atuais Range Rover com motores de combustão interna. Esse número não significa que seja possível entrar em qualquer trecho com 900 mm de profundidade. A correnteza, as condições do fundo, a velocidade de entrada, as rodas instaladas e eventuais danos no veículo alteram o risco. Depois que o assoalho entra em contato com um obstáculo, não se pode presumir que a carcaça da bateria continue estanque.

Autonomia: ciclo de laboratório e estimativa de uso real
O resultado máximo de 372 milhas, ou aproximadamente 598 km, foi obtido pelo WLTP. Trata-se de um procedimento padronizado, cujas regras estão estabelecidas no Regulamento da ONU nº 154, publicado pela Comissão Europeia. O método serve para comparar veículos em condições iguais, mas não garante a mesma distância em uma rodovia durante o inverno, com o veículo totalmente carregado ou equipado com rodas maiores.
O próprio fabricante também informa uma referência de até 333 milhas, ou 535 km, em condições reais de uso. A expressão “até” é relevante: o resultado depende da temperatura, da velocidade, do trajeto, do uso do aquecimento da cabine e da versão escolhida. Na página oficial do Range Rover Electric, é possível verificar as versões disponíveis e as condições usadas para calcular as especificações em cada mercado.
Cálculo: o que significa recarregar de 10 a 80% em 22 minutos
Setenta por cento da capacidade útil de 118,5 kWh correspondem a aproximadamente 83 kWh. Considerando os 22 minutos declarados, a potência média nesse intervalo teria de ser de cerca de 226 kW. Esse é um cálculo baseado nos dados publicados, não uma especificação independente do Range Rover. Os 350 kW de potência de pico não são mantidos durante toda a sessão: a velocidade varia conforme a temperatura da bateria, o nível de carga e a capacidade da estação.
Os 22 minutos declarados referem-se a uma estação compatível de alta potência e a uma bateria previamente preparada, não a qualquer ponto de recarga. A arquitetura de 800 V permite a chamada recarga dividida: o sistema da bateria pode coordenar seu funcionamento com infraestruturas de 400 e 800 V sem um conversor elevador pesado separado. Em uma estação de até 350 kW, o fabricante promete acrescentar até 220 km de autonomia calculada pelo WLTP em dez minutos.

O peso continua sendo o principal compromisso físico
A revista Autocar informa peso em ordem de marcha de 2.885 kg. O comunicado oficial da Range Rover não apresenta um único valor universal para todas as versões, portanto o peso real pode variar conforme o comprimento da carroceria, os equipamentos e o mercado.
Quase três toneladas aumentam a carga sobre os pneus e os freios, elevam a inércia e dificultam o deslocamento em terrenos macios. A bateria instalada em posição baixa ajuda a reduzir o centro de gravidade, enquanto a suspensão pneumática e os sistemas ativos do chassi devem controlar a carroceria, mas não eliminam o peso. Por isso, medições independentes da distância de frenagem, do consumo de energia e do comportamento em superfícies soltas serão tão reveladoras quanto a aceleração de 0 a 60 milhas/h em 4,3 segundos.
O que ainda não pode ser considerado comprovado
Ainda não existem medições independentes da autonomia em diferentes temperaturas e velocidades.
A curva completa de recarga rápida não foi publicada: são conhecidos apenas a potência de pico e o tempo para o intervalo de 10 a 80%.
Os preços e as datas das primeiras entregas variam conforme o mercado. Em 02.09.2026, o Reino Unido tinha preço inicial anunciado de 154.070 libras, incluindo despesas de circulação; não é correto aplicar esse valor diretamente a outros países.
A durabilidade da bateria em uso off-road frequente só poderá ser demonstrada por testes de longa duração e pela experiência dos proprietários.
O Range Rover continua sendo um veículo off-road?
Pelas especificações publicadas, o Range Rover não abandonou os principais parâmetros off-road ao fazer a transição para a propulsão elétrica. A profundidade de travessia continua em 900 mm, os dois motores permitem controlar mais rapidamente a tração entre os eixos e o modo de condução com um pedal foi configurado para movimentos lentos em inclinações. Ao mesmo tempo, a bateria oferece quase 600 km pelo WLTP e permite uma parada curta em uma estação de recarga de alta potência.
A resposta definitiva virá dos testes independentes: em subidas escorregadias, sulcos profundos, recarga rápida depois de uma viagem em rodovia e condições de inverno. Por enquanto, a conclusão correta é que os engenheiros preservaram parâmetros off-road mensuráveis e adaptaram o controle da tração à propulsão elétrica, mas as limitações físicas do peso e a dependência da infraestrutura de recarga continuam presentes.










